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Cansaço crónico  

Nem sempre uma doença está por trás do cansaço.
Medidas simples podem trazer novo vigor ao organismo.

Muitas pessoas que procuram os consultórios médicos queixam-se de um cansaço que as acompanha há muito tempo, e que interfere nas suas actividades normais do dia--a-dia. Qualquer doença pode ser a causa do cansaço, mas a maioria das pessoas não sofre de uma doença que possa ser responsabilizada pela fraqueza que apresenta. Normalmente, o cansaço, por si só, não merece maiores atenções das pesquisas médicas, a não ser que faça parte de alguma enfermidade específica. O simples facto de alguém estar cansado não é considerado um problema sério. Por vezes, o paciente é deixado a resolver o problema sozinho.

 Causas Externas

De facto, se fizermos exames físicos e laboratoriais, podemos nada encontrar que justifique o problema. Via de regra, os exames resultam normais e dizemos ao paciente que ele não tem problema algum. Em muitos casos, em vez de aliviar, pode piorar a situação, pois a pessoa pergunta-se: “Como é que posso sentir-me tão mal e não ter nada?” Tenho tentado responder da seguinte maneira: “Não tem uma doença definida, mas o seu organismo não está a conseguir actuar normalmente, devido a algum problema que está a enfrentar.” E esse problema não precisa de ser procurado dentro do organismo, mas fora dele. No estilo de vida, hábitos,

 

alimentação, trabalho, vida familiar, ou no uso de produtos químicos. Uma senhora, ainda jovem, queixava-se de cansaço crónico que alguém tinha atribuído à hipoglicemia. Fora então aconselhada a comer com maior frequência, a fim de controlar os níveis de açúcar no sangue. Embora seguindo a orientação, não conseguiu melhorar. Pelo contrário, pareceu-lhe aumentar o cansaço. Sabendo que não existia uma doença, a não ser a suspeita de hipoglicemia, recomendámos-lhe que fizesse um regime de apenas três refeições diárias e que aumentasse as suas actividades físicas. Em menos de dez dias, passou a sentir-se melhor, embora estivesse a ingerir menor quantidade de alimentos. Esse não é um caso isolado. Muitas pessoas com situação semelhante a essa têm conseguido melhoras, adoptando um regime regular de alimentação, em vez de passar todo o dia a comer alguma coisa. A energia gasta para fazer tantas pequenas digestões parece não ser compensada pelo acréscimo de alimentos.


Perigo na Cafeína

Uma causa que está a despertar a atenção para a ocorrência de cansaço crónico é o uso de café. As pessoas que bebem muito café diariamente, cerca de 750 mg de cafeína (cinco chávenas), apresentam uma queda acentuada de resistência física. Quantidades menores causam o mesmo problema, só que em menor número de pessoas. Testes feitos em ratos, aos quais foi dado café, mostram que uma dose de cafeína aumenta a sua capacidade de nadar, em comparação com os que não tomaram nenhuma dose. Mas quando o café foi dado regularmente ao mesmo rato, após seis semanas, a capacidade de nadar diminuiu muito em relação aos que não beberam café. Para muitas pessoas, que bebem café regularmente e que sofrem de fadiga

 
crónica, recomenda-se que se abstenham completamente da cafeína. Ao contrário do que se imagina, após algum tempo, a capacidade física aumentará significativamente. Em lugar de se recorrer a estimulantes para realizar actividades habituais, é melhor praticar exercícios e observar os períodos regulares de repouso. A nossa alimentação apressada nos dias actuais também pode ser deficiente em alguns nutrientes, tais como vitamina C, vitaminas do complexo B e outras. Tal deficiência pode facilmente ser suprida por uma alimentação rica em frutas, verduras, cereais integrais ou castanhas, em substituição dos alimentos refinados e de grande quantidade de açúcar. Estas orientações podem ser seguidas por todas as pessoas que se sentirem cansadas. Mas, caso persistam os sintomas, é prudente fazer uma investigação especializada mais profunda, para descobrir qualquer causa escondida atrás dos sintomas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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