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Continuação

Para que seja possível um seguimento de uma metodologia correcta na investigação, prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias do membro inferior, nomeadamente do pé e das suas repercussões no Organismo Humano é necessário efectuar uma triagem de dados ao paciente de uma forma directa (elaborando uma história clínica onde conste todo o historial da patologia em causa, quais os antecedentes do paciente tais como, desenvolvimento psicomotor, médicos, traumáticos, cirúrgicos, alérgicos, terapêuticos, familiares e hereditários), e de forma indirecta (através de exames clínicos, como a inspecção, palpação, exame articular, muscular, neurológico, vascular, estrutural, funcional e biomecânico, em decúbito, sedestação, bipedestação e dinâmica)
Durante a actividade clínica de Podologia deparamo-nos com situações altamente sintomáticas e limitantes para o paciente, que justificam os inúmeros casos que recorrem às actuais clínicas de Podologia, onde se procura descobrir qual a causa de tal sintomatologia e/ou limitação, baseado-se nas manifestações clínicas referidas pelo paciente e nos conhecimentos científicos adquiridos através das disciplinas do plano curricular, entre as quais destacamos a Anatomia Humana, Fisiologia Humana, Biologia Celular, Microbiologia e Parasitologia, Biopatologia, Bioquímica, Neurologia, Dermatologia, Podologia Geral I, II e III, Síndromas Podológicos Sistémicos, Biomecânica e Exploração Podológica, Podopatologias, Micologia, Pediatria, Geriatria, Pé de Risco(Medicina Cardiovascular, Cirurgia Vascular, Reumatologia, Hemostase e Coagulação), Meios Auxiliares de Diagnóstico, podendo ainda recorrer a exames complementares de diagnóstico como a goniometria (medições), exames biomecânicos computadorizados ( plataformas de pressões e barosensores), pedigrafias ( registo da impressão plantar), podoscópio ( análise da impressão plantar), Rx de baixa densidade ( radiografar segmentos do pé), tapetes de marcha ( análise do caminhar humano) e doppler, por forma a elaborar uma diagnostico exacto. Sendo para tal por vezes também necessário a requisição de outros exames complementares de diagnóstico, tais como:
Exames de rotina e exames específicos para estudos patológicos de doenças dos pés:
Hemograma completo, Velocidade de Sedimentação Globular, Ureia, Creatinina, Glicose (em jejum), Glicose duas horas após almoço, Hemoglobina Glicosilada, Colesterol, Triglicerídeos, Ácido úrico, TGO + TGP +y-GT, Proteinograma, Ag HBs + Acp HBs, Ionograma, Bilirrubina, Fosfatasa Alcalina, Clearance de Creatinina, P.S.A., Urina tipo II c/ sedimento, Provas reumáticas, Provas da Coagulação, Exames imagiológicos: (Radiografia, Ressonância Magnética, Tomografia Axial Computadorizada,Ecografia, Densitometria óssea), Exames microbiológicos, Exames de Anatomia Patológica, Exames Electromiográficos, Outros.
Estabelecido o diagnóstico, deve o profissional de Podologia elaborar um plano de tratamento adequado, de forma a proporcionar ao paciente uma resolução eficaz da patologia apresentada.
O diagnóstico e o plano de tratamento deve ser esclarecido com o paciente, em linguagem adequada, permitindo um entendimento entre o profissional e o doente da metodologia a seguir.
Todo o procedimento deve respeitar a formação adquirida através das disciplinas especificas do curso de Podologia , reconhecidas em plano curricular obrigatório, destacando-se: Ortopodologia I, II e III, Tratamentos Ortopédicos dos Transtornos da Marcha, Podologia Cirurgica Geral e Especial, Podologia Cirurgica Reparadora, Farmacologia e Terapêutica I e II, Podologia Física I e II, Ortesiologia, Quiropodologia I, II e III, Clínica Podológica Integrada I e II, Traumatologia, e o Estágio Clínico, assim como os direitos do paciente.
O plano de tratamento é executado de forma a tratar toda a patologia, malformações, e afecções dos pés, assim como, e sempre que seja possível, a sua etiologia e consequências, utilizando todos os procedimentos, desde os mais conservadores aos mais radicais.

Quiropodologia - Área podológica na qual se realiza tratamentos conservadores, com aplicação de anestesia tópica (quando necessário), das alterações da capa córnea da pele e seus anexos: hiperqueratoses, tilomas, helomas (miliares, vasculares, pétreos, neurovasculares, por inclusão, queratosicos), verrugas podais, infecções fúngicas (dermatofitias, candidiases, tinhas), dermatites, psoriase, pitiriase, alterações e afecções das unhas (onicodistrofias, onicocriptoses, onicogrifoses, onicomicoses, onicolises, onicomalacias, linhas de Beau, anoniquias, polioniquias, heteroniquias, leuconíquias, paroniquias, entre outras), soluções de continuidade ( de origem vascular, neurológica, decúbito e pressão), assim como tratar a sua etiologia, desde que esta se enquadro em afecções especificas do pé e portanto que constituam a área de actuação do profissional de Podologia. A realização de tratamentos destas patologias, são realizados com o apoio de equipamentos específicos, tais como: cadeira de Podologia, micromotor eléctrico e ou pneumático, seringa de tripla função, lâmpada de halogéneo fria, sistema de aspiração, instrumentos de triagem, tratamento e reeducação das lesões descritas anteriormente
Na presença de alterações dolorosas, inflamatórias, infecciosas, víricas, alérgicas, soluções de continuidade, prurido e sudurese no pé, deverá o profissional de Podologia recorrer à terapia farmacológica adequada, de acordo com os conhecimentos adquiridos nas disciplinas de Farmacologia I e II, Dermatologia, Micologia e Anti-micóticos, Quiropodologia I, II e III, Podopatologias, Repercussões Podológicos dos Síndromes Sistémicos, Pé de Risco, Estágio Clínico e Clinica Podológica Integrada. Salienta-se os cuidados do pé diabético, pé vascular, pé desportista, pé geriatrico, pé infantil, pé reumático, pé neurológico, pé pós-traumático, pé laboral e pé paramiloidotico.

Ortopodologia - área podológica que actua em alterações congénitas e/ou adquiridas do tipo morfológico, estrutural e funcional aplicando tratamentos correctivos, compensativos ou paliativos mediante realização e aplicação ou prescrição de ortopróteses ou ortóteses. A aplicação dos tratamentos ortopodológicos têm como base todos os conhecimentos podológicos de especial importância a biomecânica devido à sua inter-relação com a Ortopodologia.
De acordo com as alterações estruturais, funcionais e morfológicas do pé, podemos encontrar patologias localizadas na zona anterior do pé (antepé) tais como: antepé varo; antepé valgo; antepé supinado; antepé pronado; antepé aducto; antepé abducto; primeiro raio plantar flexionado; primeiro raio dorsiflexionado; quinto raio plantar flexionado; quinto raio dorsiflexionado; insuficiência do primeiro e quinto raio, equino, inversão do arco anterior transverso, alterações morfológicas digito-metatarsicas.
Ainda nas alterações do antepé , podemos especificar as alterações digitais (dedos): Hallux rigidus-limitus, hallux abdtuctus valgus, hallux varus, hallux hiper-extensus, hallux flexus, dedos em garra, dedos em martelo, dedos em pescoço de cisne, clinodáctilias, sindáctilias, polidáctilias, dedos em infra ou supraducção;
Alterações metatársicas, causas frequentes de metatarsalgias: sobrecarga metatarsica, diminuição do tecido adiposo a nível metatársico, sesamoidites, fracturas de stress, osteocondrite assépticas do 2º metatarso, síndroma de Morton, luxações metatarsico-falangicas.
A nível do médio pé, existem alterações por diminuição do arco longitudinal interno do pé traduzindo um pé plano estruturado ou secundário ou contrário a este existe um aumento do arco interno, denominado pé cavo, sendo este tipo de pé muito doloroso e incapacitante, pela falta de superfície de apoio plantar.
Existem também alterações da zona posterior do pé (retropé) como o retropé valgo; retropé varo; retropé aducto; retropé abducto; retropé equino; retropé insuficiente; traduzindo alterações estruturais e funcionais do pé. As patologias do tarso posterior, também denominadas do retropé, podem ser classificadas pela sua origem, localização e clínica. Assim podemos encontrar a nível plantar posterior: fasceite plantar proximal, distal, média ou total, rotura da fáscia plantar, compressão nervosa, atrofia do tecido adiposo; a nível posterior do calcanhar, tendinites aquileanas, bursites pré tendinosa e retrocalcanea, exostose de haglund.
As alterações do membro inferior, alterações da anca, alterações femurais, alterações do joelho, alterações tibiais podem ser causa de grandes alterações de apoio do pé e de marcha, assim como alterações do pé são muitas vezes causa das alterações da anca, fémur, joelho, tíbias.
Dentro da classificação de pé de risco, está enquadrado o pé diabético, pé poliomielitico, pé paramiloidotico, pé neurológico, pé vascular, pé reumático. O pé de risco requer cuidados redobrados e específicos, atendendo às suas características de alteração de sensibilidade por defeito e alteração da sua proprioceptividade. Este tipo de pé é objecto de estudo e análise no sentido de se diagnosticar e prever situações de alto risco, tendo-se de intervir no imediato tentando prevenir o aparecimento de lesões incuráveis e limitantes para o paciente, com tratamentos personalizados, do tipo compensatório, evitando sintomatologias dolorosas, zonas de excesso de pressão, responsáveis pelo aparecimento de lesões ulcerativas, que quando não prevenidas e/ou tratadas são indicio forte de possível amputação.
Estas patologias do pé e do membro inferior, de diferente localização, etiologia, funcionalidade e patogénicidade devem ser sempre diagnosticadas e confirmadas com exames directos e indirectos de forma a que seja possível elaborar um plano de tratamento ortopodológico, capaz de corrigir, compensar ou aliviar a patologia que afecta o paciente.
O estudo do paciente no seu conjunto é indispensável para descobrir a etiologia das limitações, assim como na prevenção de alterações posteriores e associadas.
Todas estas alterações descritas anteriormente necessitam de tratamento ortopodológico mediante aplicação de suportes plantares do tipo correctivos, compensativos e antiálgicos, podendo ser realizados em diferentes materiais hipoalérgicos, sempre executados em função da patologia, idade do paciente, profissão e actividades complementares e de todos os seus antecedentes. Salienta-se o facto que todos os tratamentos ortopodológicos são personalizados, sendo para isso necessário realizar um molde plantar de forma a reproduzir a estrutura do pé configurando e/ou corrigindo-o.
A aplicação de ortóteses digitais e metatársicas são também realizadas directamente sobre o pé do paciente, permitindo manter o segmento afectado em posição correcta e funcional. As ortóteses plantares, digitais e metatársicas são de importância extrema, atendendo à sua funcionalidade e também porque é um tratamento imediato, permitindo minimizar uma sintomatologia dolorosa após a sua colocação.
A metodologia de tratamento Ortopodológico é fundamentada em critérios científicos e adquiridos em disciplinas da especialidade do curso de Podologia, sendo realizada e aplicada na íntegra por profissionais de Podologia.

Tratamentos cruentos podológicos - realização de tratamentos específicos no pé, sem dor, mediante aplicação de anestesia local e troncolar, por forma a tratar definitivamente alterações podológicas, tais como, helomas e suas causas, alterações da unha, tecidos moles e alterações digito-metatarsicas. Uma vez que na homologação do curso de Podologia figuram as Unidades Curriculares de Cirurgia podológica I e II e Cirurgia Reparadora, consideramos fundamental a aprovação das seguintes competências profissionais nesta área, para que o profissional de Podologia possa por em prática os conhecimentos adquiridos nas cadeiras supra referidas. Passamos a citar:
Solicitação de análises de sangue completas: fundamental para o cumprimento do protocolo mínimo. As provas solicitadas serão em dependência da idiossincrasia de cada doente.
Solicitação de provas complementares de diagnóstico: nomeadamente RX, ecografias, tomografia axial computadorizada, cintigrafia, ressonância magnética ou outras, fundamentais para o diagnóstico das diferentes patologias ou para a eleição do tratamento mais adequado, inclusive a realização da técnica ideal.
Prescrição e aplicação de medicação quer seja prévia, durante ou posteriormente à cirurgia, a citar: anestésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos ou ansiolíticos, indispensáveis para o cumprimento dos protocolos pré ou pós-cirúrgicos vigentes.
Utilização de anestesia local ou troncolar: imprescindível para a realização das diferentes técnicas de cirurgia podológica.
Realização das diferentes técnicas de cirurgia podológica abordadas nas unidades curriculares aprovadas pelo Ministério, nomeadamente onicocriptose (unha encravada), quistos, helomas por inclusão, helomas interdigitais, verrugas, neuromas e técnicas osteoarticulares menores: exostectomias, tenotomias, capsulotomias, osteotomias .
Realização de técnicas hemostáticas adequadas a cada uma das cirurgias e localização das lesões.
Realização de suturas específicas para cada uma das técnicas cirúrgicas.
Realização de atestados para efeitos de baixa ou companhias seguradoras, quando o paciente é submetido a cirurgia podológica.
Realização dos tratamentos pós-cirúrgicos mais adequados a cada doente: curativos, aplicação de descargas, suporte plantar (palmilhas), ortóteses em silicone.
Solicitação de exames de Anatomia patológica para determinação das estruturas retiradas, nomeadamente tecidos moles.
Realização das manobras de suporte básico de vida e utilização do material necessário para o seu cumprimento, dentro do consultório de Podologia.
Realização de punções e infiltrações a nível do pé, com fins terapêuticos.

Simpósio Terapêutico Especifico de Podologia - O Profissional de Podologia, como profissional superior de saúde deve receitar e administrar medicamentos com acção específica no campo podológico, como por exemplo, antibióticos, antimicóticos e antivíricos, analgésicos, anti-inflamatórios, anti-ácidos, vitaminas, suplementos minerais, e antipiréticos, anti-histaminicos, podendo também prescrever e aplicar medicação de acção tópica (analgésicos, anti-inflamatórios, antireumáticos, antiulcerosos, antibióticos, antifungicos, antivíricos, anti-histaminicos, antipsoriáticos anti-sépticos, desinfectantes, cicatrizantes, enzimáticos, emolientes e protectores, hidratantes, anti-transpirantes) para aplicação a nível do pé.

Recuperação podológica – indicações de atitudes posturais e terapias específicas com objectivo de conseguir a condição funcional do pé, uma vez superado o processo patológico, traumático ou outro.

Nota:
Todos estes propósitos são fundamentados em bases Curriculares, creditadas pelo Ministério de Educação, com parecer positivo do Ministério da Saúde, na homologação do Curso Superior de Licenciatura bietápica em Podologia e do seu Plano Curricular.

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