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            Enxaqueca
 
É uma dor hemicraniana (de um lado da cabeça), moderada a grave, pulsátil, pode ter uma duração de várias horas, até dois dias, e agrava com a actividade física. À medida que a intensidade aumenta, podem surgir náuseas e vómitos, aversão ao barulho (fonofobia), à luz (fotofobia) e, por vezes, a certos cheiros (osmofobia).
A enxaqueca pode ser precedida por sintomas ou sinais neurológicos (20% dos casos): aura visual (distúrbios da visão, «flashes» luminosos e pontos negros), aura «somestésica» (anomalias da percepção das sensações) e mais raramente défice motor (paralisia ou fraqueza de um dos lados do corpo) ou dificuldade da locução (afasia).

A ENXAQUECA NA CRIANÇA

A enxaqueca na criança costuma ser mais curta, algumas têm uma duração de apenas meia-hora. A enxaqueca nas crianças localiza-se mais na parte frontal da cabeça; as crianças podem ser sensíveis à luz ou ao som, não a ambos, e os seus problemas de estômago (náuseas e vómitos) são mais accentuados. Um estudo europeu mostrou que de 73 crianças com enxaqueca entre os 7 e 15 anos, 41% estavam curadas 15 anos depois.


Embora as causas da enxaqueca continuem a estar mal-entendidas, as pesquisas mais recentes apontam para a "teoria neurovascular", envolvendo artérias cerebrais e nervos periféricos da face e cabeça (o nervo trigémeo que sai de um ponto localizado no centro do crânio e se dirige para a fronte).
Nas pessoas que sofrem de enxaqueca, existe uma predisposição genética do sistema neurovascular em reagir excessivamente a determinadas estimulações internas ou externas (as pessoas que sofrem de enxaqueca são «hipersensíveis»). Estas crises poderiam ser desencadeadas aquando de uma estimulação por uma modificação de um «relógio interno», provavelmente localizado a nível do hipotálamo.
Esta perturbação cerebral é responsável pelo desencadeamento de reacções em cadeia a nível dos vasos (que se contraem e se dilatam) e dos nervos.
Estes libertam substâncias (neuropeptídeos), entre as quais uma substância chave no controlo da dor: a serotonina. Daí os medicamentos específicos da enxaqueca actuarem a nível da serotonina.

FACTORES PREDISPONENETES

A hereditariedade constitui um factor predisponente em 60 a 80% dos casos das crianças, cujos pais sofrem ou sofreram de enxaqueca. Pelo contrário, a hereditariedade não parece ser importante nas cefaleias tipo tensão e em salva. Até à idade dos treze anos não existe diferença na incidência de enxaqueca entre os sexos. Mas, a partir da puberdade, as mulheres são mais afectadas que os homens (2/3 dos casos). A prevalência da enxaqueca é mais elevada, em ambos os sexos, por volta dos 35-40 anos. Existem alguns dados que associam a enxaqueca a determinados tipos de personalidade: tendência para o perfeccionismo, rigidez.

  FACTORES PRECIPITANTES Para que a crise de enxaqueca ocorra, verifica-se a actuação de factores externos e internos.

Factores externos:

  • Alterações térmicas: bruscas variações de temperatura, calor ou frio excessivo, bebidas geladas;
  • Ruído intenso, luz intermitente, cheiros muito activos de certas plantas ou perfumes;
  • Traumatismos cranianos mínimos;
  • Dores localizadas (dentárias, otorrino-laringológicas, oculares);
  • Esforços físicos (desporto, actividade profissional ou sexual);
  • Jejum ou inanição prolongados;
  • Ingestão de alimentos gordos, chocolates, ovos, lacticínios,(leite gordo e certos queijos), mariscos, álcool, alimentos fumados ou conservas, certos frutos (citrinos e oleaginosas), café.

 

Factores internos:

  • Alterações hormonais (início do período menstrual, ovulação);
  • Alterações do sono (sono prolongado, alterações do ritmo circadiano);
  • Hipoglicemia (jejum prolongado);
  • Fadiga intensa;
  • Stress prolongado.
É de referir uma situação curiosa: a enxaqueca de fim-de-semana, em que vários factores se podem associar: alterações do sono, jejum prolongado, aumento ou diminuição do stress, privação da cafeína.

TRATAMENTOS

Muitas cefaleias são banais e de curta duração, não necessitam de tratamentos.É essencial uma colaboração estreita do doente com o médico, no sentido de fornecer, com rigor, os sintomas (o modo como a dor se instalou, a forma como tem evoluído ao longo do tempo, tempo de duração...) e permitir um diagnóstico correcto.

É igualmente importante:
  • Seguir, com rigor, o tratamento terapêutico: respeitar a dosagem, bem como o horário das tomas. Quando os episódios são frequentes (pelo menos 4 vezes por mês) o médico pode prescrever um tratamento de fundo (preventivo).
  • O doente estar alerta no sentido de proceder à identificação e controlo dos factores que possam desencadear ou agravar as crises.
  • Estar atento aos primeiros sinais: fadiga, euforia, sensação de fome... para, o mais rapidamente possível, iniciar a terapêutica com um analgésico. Um análgésico é sempre mais eficaz quando tomado no início da crise.
  • A psicoterapia, o relaxamente e a higiene de vida contribuem positivamente para a qualidade de vida das pessoas com enxaquecas.

 

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