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Contracepção e aleitamento materno


  Como a amamentação impede a gravidez? 

O mecanismo que explica a razão pela qual a mulher que amamenta, não engravida facilmente tendo por base: 

O órgão que regula a fertilidade da mulher está situado na sua cabeça, no cérebro, tratando-se de uma glândula chamada HIPÓFISE. Esta glândula está em comunicação com os órgãos do organismo da mulher (ovários, útero e mamas), através do envio de hormonas, digamos assim. 

Normalmente na mulher em idade fértil a hipófise envia todos os meses mensagens hormonais para os ovários, útero e mamas, transmitindo-lhes que se preparem para uma hipotética gravidez; nesse momento um dos ovários entra em funcionamento (o outro fica parado, não funcionando nesse mês), seleccionando um folículo que contém no seu interior um óvulo. 

No meio do ciclo menstrual esse óvulo é enviado para o exterior do ovário, embora ainda no interior do ventre da mulher, quando então será captado pela trompa e levado para o interior do útero; desde que a mulher tenha tido relações sexuais nesse período, os espermatozóides lançados no interior da vagina irão subir para o útero e trompas, indo ao encontro do óvulo, fecundando-o e é quando se forma o ovo e a gravidez começa; voltando às trompas o ovo chega ao útero e então aloja-se, prosseguindo a gravidez. Durante 9 meses a mulher não menstruará, não ovulará e não poderá engravidar em todo esse período. 

O estímulo hormonal comandado pela hipófise com acção sobre o útero, ovário e mamas, logo após o parto, vai-se prolongar por mais algum tempo, cerca de 45 dias, 2 meses, 3 meses, 6 meses; tudo irá depender da amamentação. A mulher que alimenta o seu bebé só com o leite do peito, sem limites, atendendo apenas às solicitações da criança ficará por muito tempo sem ovular e sem menstruar, ou mesmo menstruando mas sem ovulação, motivo pelo qual não engravidará. 

Este conhecimento não é absoluto, não significa que toda e qualquer mulher que amamente não engravidará. Existem particularidades que tem de ser respeitadas e que levam a periodos menstruais, embora tal seja válido como generalidade sempre que as condições básicas forem respeitadas. 

Como os  profissionais de saúde podem ajudar? 

Toda equipe da Saúde envolvida na aplicação do método anticonceptivo deverá ser esclarecida das características que o mesmo tem; se a atenção dedicada ao ensino da metodologia não for orientada por cuidados especiais, os índices de insucesso poderão desencadear um processo de descrédito difícil de ser superado numa mesma comunidade e por muito tempo. 

Assim a abordagem inicial do ensino do método deverá envolver pequenos grupos de mães líderes, as mais experientes, para que sejam ensinadas adequadamente e passem a servir de sustentação prática para consolidação do método na comunidade (em caso de solicitação pelas mães menos experientes). 

O profissional de saúde deverá ter capacidade em avaliar devidamente no seio das suas pacientes aquelas que:

a) deverão adoptar o método 
b) não devem adoptar quais suas opções 
c) as que devem mudar de método pelo crescente risco de gravidez. 

Também exigem solução as seguintes situações clínicas: 

1 - paciente que não menstrua mas amamenta regulamente 
2 - paciente que não menstrua mas amamenta de forma irregular 
3 - paciente que já menstrua mas amamenta regularmente 
4 - paciente que já menstrua mas amamenta de forma irregular. 

Aquelas mães que amamentam regularmente, que alimentam a criança exclusivamente com o seu leite, segundo a espontaneidade da mesma, são as mães que mais beneficiam do uso prolongado da amamentação como método contraceptivo. 

As mães que ainda não menstruaram mas que por alguma razão começam a amamentar de forma irregular sem qualquer critério ou mesmo começam a adoptar alimentação mista para o bebé, são as que mais preocupam as equipes de saúde que orientam as senhoras no uso da amamentação como contracepção, pois a partir do momento em que elas começam a espaçar demasiado as mamadas, as hipóteses de ovulação e gravidez aumentam. 

Quando as que usam tal método começam a menstruar novamente, devem ser orientadas a procurar os serviços de saúde para receberem novas instruções; há que considerar a regularidade de amamentação, a intensidade de sucção e o seu tempo de duração. 

Mães que amamentam e já menstruam costumam apresentar ciclos menstruais irregulares, atípicos, devido a taxas variadas de prolactina (a hormona que estimula a produção de leite no seio) e ocitocina circulante e que interferem no ciclo menstrual. 

A Eficácia do Método 

O emprego da amamentação como método contraceptivo é antigo, remonta a milénios; sabemos que a amamentação natural prolongada provoca com que se alongue o período de amenorreia (falta de periodo) pós parto, sendo ela a responsável pela liberação hormonal de altas taxas de prolactina e ocitocina, que garantem a produção continuada de leite ao mesmo tempo que inibem a ovulação. O domínio destes conhecimentos elementares de fisiologia humana permitiu correlacionar o milenar saber popular com a realidade prática, ou seja as mulheres sabidamente transmitem entre si a aprendizagem de que "mãe que amamenta não engravida". 

Os responsáveis pelo emprego desses conhecimentos no âmbito da comunidade usuária menos esclarecida, deverão mostrar-lhes que a eficácia do método dependerá exclusivamente delas próprias, das mães que amamentam continuamente e com regularidade seus bebés, pois aquelas outras que não amamentam regularmente e falseiam as informações correm o risco de engravidar e invalidar o método na comunidade. 

Controle Clínico 

O controle clínico que a equipe multi-profissional (Consultas de Planeamento Familiar) dá ao grupo de mulheres que faz anti concepção através da amamentação, deverá ser rígido e constante; sempre que possível a equipe deverá proceder a reavaliações das pacientes, procurando obter sempre a veracidade das suas informações, avaliando os factores sócio-económicos que as podem afectar, de forma a detectar alterações que possam vir a comprometer a eficácia da contracepção e que desta forma ponham em risco a segurança do método. 

As mães devem ser estimuladas não só na manutenção da amamentação exclusiva, mas também no abandono voluntário, sempre que não puderem manter as orientações que garantem a eficácia desta adopção. 

Sempre que hja qualquer tipo de alteração ou mudança, a equipe de saúde de planeamento familiar deverá ser capaz de ensinar como a mãe poderá continuar a amamentar sem engravidar. 

Qual é o método complementar que será mais adequado para cada caso, a pílula com progestágeno, a minipílula, o DIU ou o coito interrompido, isso é de extrema importância para o respeito da equipe.

Como Amamentar Correctamente

Visita precoce ao Centro de Saúde 

Aquelas pacientes que manifestaram o desejo de fazer anti concepção usando apenas a amamentação deverão ser orientadas para avaliação no Centro de Saúde (na consulta de revisão do puerpério) para receber instruções que irão garantir a eficácia do método, logo nos dias imediatos que se seguem ao parto, seja no parto normal ou no cirúrgico. 

Equipe de Saúde na consulta de revisão do puerpério 

A equipe de saúde envolvida no planeamento familiar deverá examinar as puerperas que vão ao Centro de Saúde, aquando de sinais que indiquem dificuldades na amamentação: mamilo retraído, fissuras, engurgitamento, excesso de leite em uma das mamas, endurecimento, dor mamária, dificuldade para amamentar correctamente, febre e suores frios. 
A equipe multidisciplinar (Médico e Enfermeira) orientarão e treinarão as mães, individualmente, na forma como preparar e tratar as mamas para a amamentação. 

 Transferência de Experiência 

Identificar no meio do grupo de puérperas aquelas que já têm alguma experiência, que sabem bem as técnicas de amamentação e procurar-lhe pedir apoio como exemplo para demonstração. 

Quais os horários para amamentar 

As puérperas deverão ser orientadas para atender o desejo espontâneo do bebé, e sempre que ele solicitar dar o peito, iniciando sempre pelo lado que foi mamado em último lugar pois estará mais cheio de leite que o outro. Assim não há horários a serem seguidos ou standardizados. 

Chupetas e biberões 

Na amamentação natural a mãe deve ser orientada e estimulada a só dar o bico do peito ao bebé. 
Recomendar que não use chá, água, açúcar, excepto se recomendados pelo médico, esclarecendo à puérpera que todos os elementos de que o bebé necessita estão contidos no leite materno. 

Na Hospitalização 

As puérperas que permanecerem hospitalizadas de forma prolongada ou cujos bebés ficaram na incubadora por vários dias, deverão ser orientadas em como proceder no aparecimento do leite, como retirá-lo se o bebé não puder mamar. O pai (ou enfermeira) poderá ajudar, outra criança sadia poderá aspirar o leite da esposa, encaminhá-lo a locais de reserva de leite do serviço de pediatria de leite para que possa doar o seu leite e aliviar a tensão mamária enquanto aguarda pela melhoria ou alta do seu filho. As dúvidas a respeito de antibióticos, se se deve ou não amamentar enquanto os toma, as cólicas e diarreia, tudo deverá ser esclarecido pela equipe de saúde antes ou depois do parto. 

Riscos para amamentar ou para o desmame precoce 

a) falta de experiência anterior com a amamentação 
b) desmame precoce no filho anterior 
c) intenção de não amamentar, ou fazê-lo em curto prazo 
d) mãe adolescente (menores de 20 anos) 
e) trabalho fora de casa 
f) compra de chupetas 
g) atitudes negativas de familiares quanto à amamentação 
h) insucesso familiar quanto à amamentação 
i) problemas anteriores ou actuais com as mamas 
j) dificuldades na pega ou na técnica de sucção. 

Como e quanto a amamentação garante a anti concepção 

As mães que amamentam permanentemente segundo as solicitações do bebé, de dia e de noite são as que se dão melhor com o método. Aquelas que passam muitas horas sem amamentar, ou amamentam de forma irregular por várias razões, preguiça, descuido, irresponsabilidade, local de trabalho distante, então deverão ser orientadas quanto ao risco de gravidez. As mães que deixam as crianças na creche do local de trabalho deverão estabelecer uma rotina, um intervalo regular que permita manter o ritmo da mamada espontânea. 

Risco de Gravidez 

Para as pacientes que usam a amamentação como anti concepção é importante ressalvar que depois dos 3 meses após o parto as hipóteses de ovulação e gravidez aumentam. Depois dos 6 meses o risco é grande para quem evita apenas com a amamentação, principalmente se já estiver a ser menstruada regularmente. 

Nesses casos recomendar a adopção de um método complementar: 

  • DIU
  • PRESERVATIVO
  • PÍLULA COM PROGESTÁGENEO

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