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O Médico de Clínica Geral e a sua Medicina nos cuidados do Centro de Saúde
(no actual sistema de saúde público em Portugal)                               
                                         
Nas suas funções de Clínico Geral, o paciente observado, é sempre avaliado no seu contexto bio-psico-social e no seu todo, ou seja o componente de doença em si, em muitas situações está associado a outros factores externos, como por exemplo o ambiente familiar, o trabalho, o factor social, etc, que podem ser a causa da doença ou interferir indirectamente nela. Em simultâneo a avaliação pelo Médico de Clínica Geral, exige um interrogatório e exame completo do paciente, de modo que além da queixa que o motiva à consulta, seja efectuada uma avaliação geral com vista ao despiste de outras doença que podem estar silenciosas, como por exemplo, o colesterol alto, a hipertensão, etc.

Defino então como deverá ser o Médico de Clínica Geral e sua medicina nos cuidados do Centro de Saúde (no actual sistema de saúde público em Portugal):

      A oferta de cuidados de Saúde no Serviço Nacional de Saúde, assenta essencialmente em dois grandes pilares, o Centro de Saúde, responsável pelos cuidados primários de saúde, e as estruturas Hospitalares, vocacionadas unicamente para o diagnóstico e tratamento de situações de doença específica, envolvendo a necessidade de outras especialidades com os meios de apoio médico-cirúrgicos que tais serviços apresentam.

      Apenas me vou debruçar sobre a essência da actividade do Médico de Clínica Geral no Centro de Saúde, cuja metodologia de trabalho obedece a critérios determinados e que vou abordar:

      1º - O Tratamento da doença. Corresponde a uma terapêutica centralizada unicamente no doente e sempre em relação com seu meio envolvente (familiar, profissional, social, etc.). É um tratamento personalizado, que envolve uma especial intimidade, mas também de grande responsabilidade, visto que as adopções terapêuticas têm de estar tecnicamente correctas.

      2º - Relação Médico-Doente. O tratamento centralizado no doente, e na prática dos cuidados do Centro de Saúde implica uma relação médico-doente em que o médico apresenta uma série de comportamentos que melhoram a participação do seu doente nos diversos cuidados e tratamento:

        Transmite uma relação mais deontológica, explorando e respondendo às preferências do paciente nas várias decisões relacionadas com o diagnóstico e alternativas de tratamento.
        Implementa sempre a participação do paciente transmitindo toda a informação necessária de modo que este possa efectuar a escolha mais apropriada.
        Avalia os sentimentos do seu paciente em relação à doença e seu tratamento com respeito, preocupação e espírito de empatia.
        Oferece auxílio centrado na pessoa, respondendo às perspectivas desta sobre a sua saúde e cuidados a adoptar.
        Avalia em comunhão com o paciente, as escolhas, decisões e anseios deste; reconhece e procura uma resolução franca de conflitos, mesmo se da própria relação.
        Há sempre uma tentativa de promoção de educação para a saúde, com transmissão de informação sobre o diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças ou suas complicações.
        Respeita a personalidade do seu paciente, independentemente da sua classe social, etnia, sexo ou idade.

      3º - Relações profissionais. A responsabilidade do Médico de Clínica Geral nos seus cuidados acessíveis, integrados e continuados é imensa e integrada; a adopção de muitas decisões é efectuada em conjunto com colegas de outras especialidades.

      4º - Organização. Toda a organização dos cuidados no Centro de Saúde, tornou-se num local essencial e de base a prestação de cuidados de saúde primários. São objectivos destes cuidados a cura, a prevenção e a manutenção da saúde.

      Assim sendo, a grande característica ambulatória do Centro de Saúde, referencia-o como principal local organizacional para a prestação de cuidados primários. O Médico de Clínica Geral deverá então ter ao seu dispor as principais técnicas de rastreio, diagnóstico e tratamento. A doença crónica uma das grandes problemáticas de Saúde da nossa sociedade sendo na maioria dos casos tratada em meio ambulatório, é da grande especificidade dos Cuidados do Centro de Saúde.

      5º - Prevenção. Uma das principais aptências do Centro de Saúde é avaliar igualmente na comunidade local a epidemiologia (todo o leque de factores que podem interferir na saúde do indivíduo ou da população) do conjunto dos Utentes de modo a instituir um programa de intervenção preventivo e eficaz.

      6º - Dignidade Clínica e do Acto Médico. A prestação de cuidados pontuais e continuados ao indivíduo e família, reveste-se sempre na tomada de decisões puramente científicas e técnicas usando toda tecnologia médica e pessoal de apoio, revestidas sempre num contexto ético e de alta dignidade clínica, de modo que todo o beneficio do acto clínico vá sempre de encontro às necessidade e bem estar do paciente e família.

      7º - Critérios de diagnóstico e tratamento. A objectividade de critérios de diagnóstico, tratamento e sua eficácia, estão de acordo com o avanço da ciência médica a nível mundial. Todavia existe sempre uma diversidade de queixas e parâmetros subjectivos por parte do paciente, e que é da responsabilidade do Clínico Geral por excelência, a descodificação destes sintomas, que tantas vezes é mandatória para o diagnóstico da doença.

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